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ALIMENTAÇÃO A NATUROPATIA E O CANCRO



A Naturopatia, ou Medicina Natural, consiste num método terapêutico que tem como base o princípio de que a saúde é mantida pelo próprio corpo, através dos seus mecanismos de defesa, que devem ser estimulados e reforçados. 
Esta vertente da Medicina dá especial ênfase à prevenção e estimulação da cura utilizando a alimentação e terapias naturais.
É IMPORTANTE que, sempre que um doente optar por incluir esta ou outras medicinas no seu tratamento, informar o médico, pois há, quase sempre, algum tipo de interação entre medicamentos. 
É da responsabilidade do Naturopata ensinar quais os alimentos e nutrientes que devem ser consumidos e que contribuem para o equilíbrio do organismo e os que não se devem ingerir, sobretudo para prevenir, por exemplo, alterações intestinais, náuseas e vómitos, feridas na boca, perda de saliva, queimaduras, feridas nas mãos e pés, dores neurológicas, diminuição das defesas e anemia (alguns dos efeitos colaterais mais comuns em pacientes com cancro).
A alimentação terapêutica pode ainda ser complementada com outras terapias como osteopatia, acupunctura, reiki, yoga, entre outros, para melhorar os resultados e o bem-estar dos doentes.

"Depois de iniciar o tratamento contra o cancro pode ser difícil manter a alimentação normal ou habitual. O mais importante é que a pessoa com cancro obtenha as calorias e proteínas necessárias para manter o corpo forte e o mais resistente possível à doença e aos efeitos secundários dos tratamentos."

Ana Raimundo, Diretora Clínica da CUF Oncologia

Os tratamentos para o cancro podem trazer vários efeitos secundários, sendo, por isso, fundamental que todos os doentes com este diagnóstico adaptem a alimentação com o objetivo de melhorar a forma como se sentem e como vivem o seu dia a dia.
Um bom estado nutricional traduz-se em efeitos positivos na função imunitária, na diminuição da taxa de complicações, na eficácia da resposta ao tratamento e no controlo dos efeitos secundários. Uma alimentação diversificada e equilibrada pode ser uma forte aliada na prevenção e no alívio destas queixas.

Telmo Severo Barroso, Nutricionista da CUF

Como a Nutrição pode ajudar?

A nutrição desempenha um papel relevante neste tipo de quadro, sendo fundamental a sua intervenção associada ao tratamento com o médico. 

Embora haja uma grande quantidade de informações nutricionais disponíveis nos meios de comunicação social, infelizmente, nem todas essas informações são baseadas em evidências científicas sólidas, o que torna difícil saber qual é o melhor tratamento nutricional.

O acompanhamento nutricional neste quadro centra-se em:
Identificar e minimizar os sintomas associados à doença/tratamento: alterações no paladar, náusea e vómito, diarreia, constipação, boca seca, dificuldade em engolir, pouco apetite e saciedade precoce;
Avaliar o seu estado nutricional atual e aumentar o aporte de nutrientes. Enquanto ter uma boa alimentação é recomendado para todos, para quem tem cancro, é especialmente vital assegurar-se de obter uma variedade de nutrientes em quantidades suficientes.
Avaliar o padrão alimentar e as alterações que ocorreram;
Ajudar a entender as evidências e esclarecer os mitos em torno da alimentação e do cancro;
Ajudar a planear uma dieta saudável após o tratamento, com o objetivo de reduzir o risco de desenvolver cancro no futuro, recuperar as suas forças e auxiliar na sua recuperação;
Ajudar a perder peso de forma segura e sensata após o tratamento;
Ajudar a recuperar o peso, caso tenha perdido peso após um período da doença ou na sequência do tratamento;

IMPORTANTE É TAMBÉM os cuidados com a escolha dos alimentos e higiene na hora do preparação são indispensáveis para evitar contaminações.

Ter uma alimentação adequada durante o tratamento ajuda a prevenir problemas de saúde, como a desnutrição, e contribui para a recuperação.
A preocupação não deve ser só com os nutrientes, é preciso estar atento também aos cuidados no preparação segura de alimentos.
Isso porque pacientes tendem a ter a imunidade mais baixa e podem estar mais suscetíveis a infecções, inclusive por água e alimentos contaminados.

Cuidados na preparação

Saber como escolher, armazenar e preparar os alimentos é uma importante maneira de evitar a contaminação e transmissão de doenças. 
Por isso, os próprios pacientes ou pessoas que preparam as refeições devem saber dos cuidados necessários.

Higiene pessoal – as mãos, boca, nariz e pele em geral contêm bactérias que podem ser levadas aos alimentos. Para evitar que isso aconteça, mantenha as práticas:
Lavar bem as mãos antes de começar a mexer nos alimentos e sempre que trocar de atividade ou tocar em outros objetos, como caixas, armários, embalagens sujas, frigorifico, entre outros;
Retire todos adornos, como relógio, anéis e pulseiras, antes de lavar as mãos e começar a cozinhar;
Mantenha as unhas sempre curtas e limpas;
Evite espirrar, tossir, assoar enquanto estiver manipulando os alimentos;

Escolha dos alimentos -leve em consideração os seguintes aspectos na hora da compra dos produtos:

Não compre alimentos sem ler as  informações no rótulo;
Verifique as condições de higiene do local de compra dos produtos, como presença de mau odor, prateleiras e chão sujos, restos de alimentos violados ou em decomposição;
Não compre produtos com embalagem amassada, rasgada ou com sinais de vazamento;
As carnes devem ter textura firme, sem manchas escuras, esverdeadas ou cinzas, e não devem ter odor desagradável;
Produtos embutidos não devem ter aspecto pegajoso, húmido ou liberando líquido, manchas esverdeadas e odor desagradável;
As cascas dos ovos não devem ter rachaduras;
Queijos não devem ter superfície com mofo ou crosta pegajosa;
Grãos, farinhas e cereais não devem ter aspecto húmido e devem estar bem fechados;
Peixes e frutos do mar devem ter a pele firme, escamas brilhantes e aderidas, sem lacerações. Os olhos devem estar brilhantes e preservados. Não compre o alimento se tiver cheiro desagradável.

Armazenamento dos alimentos – cada alimento tem sua temperatura ideal de conservação, mas o ideal é não deixar nada exposto a temperatura ambiente por mais de 30 minutos.
No caso de produtos pré-preparados e preparados no estabelecimento sob refrigeração ou quando não houver informação do fabricante, as orientações são:
Leite e derivados devem ser mantidos a, no máximo, 7°C por até cinco dias;
Ovos e outros produtos devem ser mantidos a, no máximo, 10°C por até sete dias;
Carnes bovina, de porco, aves e produtos manipulados crus (com exceção de espetos mistos, bife, carnes cruas empanadas e preparações com carne moída) devem ser mantidos a, no máximo, 4°C por até três dias;
Espetos mistos, preparações com carne moída, carnes cruas empanadas e bife rolê devem ser mantidos a, no máximo, 4°C por até dois dias;
Pescados e seus produtos manipulados crus devem ser mantidos a, no máximo, 2°C por até três dias;
Frutas, verduras, legumes higienizados, fracionados ou descascados, polpas e caldo devem ser mantidos a, no máximo, 5°C por até três dias;
Produtos de padaria e confeitaria com cobertura e recheio que precisem de refrigeração devem ser mantidos a, no máximo, 5°C por até cinco dias;
Frios e embutidos fatiados, picados ou moídos devem ser mantidos a, no máximo, 4°C por até três dias;
Alimentos depois de cozidos, com exceção de pescados, devem ser mantidos a, no máximo, 4°C por até três dias;
Pescados depois de cozidos devem ser mantidos a, no máximo 2°C, por até um dia;
Sobremesas e outras preparações com laticínios devem ser mantidas a, no máximo, 4°C por até três dias;

Preparação dos alimentos – além de seguir os cuidados com o armazenamento dos produtos e higiene pessoal, é preciso continuar com as práticas:
Certifique-se se o local dos alimentos está limpo antes de começar a cozinhar. Caso não esteja, é necessário limpar as áreas com solução desinfetante;
Separe o processo de preparação dos alimentos e, a cada etapa lave a pia e os utensílios, para evitar contaminações;
Alimentos perecíveis devem ser descongelados na geladeira, não a temperatura ambiente e nem no micro-ondas;
Higienize frutas, legumes e verduras com água corrente, um por um, para retirar terra, larvas e a maior parte dos micro-organismos. 
Os alimentos que forem comidos crus devem ficar de molho por 15 a 20 minutos em uma bacia com um litro de água e uma colher de sopa de água sanitária ou hipoclorito, seguindo as recomendações de cada fabricante. Depois, devem ser bem enxaguados em água corrente para retirar o produto;
Não deixe alimentos depois de preparados em temperatura ambiente por mais de 30 minutos;
Use apenas utensílios e talheres limpos para manipular os alimentos.
Além das dicas de preparação segura de alimentos para pacientes, é essencial seguir as recomendações médicas e/ou do nutricionista sobre alimentação adequada, do momento do diagnóstico até o período pós-tratamento.

Referências:
https://www.cuf.pt/livro-receitas-e-conselhos-para-doentes-oncologicos

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